Dízimo para quê?

POR: Fernando Pinheiro || Palavras Reflexão

É muito fácil pegar um texto, como de Malaquias 3.10, e dizer ao povo (pessoas de boa ou má fé) que estão roubando a Deus e que devem trazer os dízimos à “casa do tesouro”.

Penso que se Malaquias soubesse que usamos o seu livro só para falar de dinheiro ele daria piruetas no túmulo! Mas, já que estamos aqui, falemos um pouco disso (e deixemos o profeta se revirar um pouco mais).

“Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, PARA QUE HAJA mantimento na minha casa…” (ML 3:10)

É de fato impressionante como muitos pregadores e pessoas, em geral, fazem vista grossa, se esquecem da primeira parte do texto, ou focam apenas no imperativo “trazei”, ignorando onde trata exatamente do real propósito do dízimo!

Dentro desse contexto, a preposição para, indica propósito: “A fim de…”; “com destino a…”.

Isto é, já no início do próprio texto nós temos o destino ou motivo central da existência dos dízimos! Eu gostaria de usar um megafone para gritar dizer o que vou dizer, sendo assim, uso então letras em destaque:

M A N T I M E N T O

Isso mesmo! Mantimento! Dízimo é para isso! É difícil entender o que se passa na cabeça das pessoas que leem a Bíblia de capa a capa, mas não compreendem isso! Tamanha é a alienação imposta pelos líderes religiosos, que existe certo receio quanto a questionar sem ser chamado de herege, desobediente, ou infiel e, em alguns casos, até mesmo de ladrão! (Tais líderes nos incentivam a questionar nossos políticos, mas não demonstram gostar de serem questionados).

Posso trazer vários textos sobre esse assunto, mas vou me limitar a Deuteronômio 26.12,13:

“Quando acabares de separar todos os dízimos da tua colheita no ano terceiro, que é o ano dos dízimos, então os darás ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, para que comam dentro das tuas portas, e se fartem; E dirás perante o Senhor teu Deus: Tirei da minha casa as coisas consagradas e as dei também ao levita, e ao estrangeiro, e ao órfão e à viúva, conforme a todos os teus mandamentos que me tens ordenado…” (DT 26:12,13).

“…para que comam…”. Verifique a preposição indicando DESTINO aos dízimos novamente! Tais textos são tão claros sobre os motivos e propósitos dos dízimos, que para distorcer isso é, ou foi, preciso fazer um malabarismo teológico contraditório, para desviar o foco e sua verdadeira razão de ser!

Exemplo? Usar o texto de ML 3.10 para dizer que o “templo”, a construção que hoje chamam de “igreja”, é a casa do tesouro! Será que preciso dizer que Deus não habita em templos feitos por mãos de homens? Ou, que pessoas de carne e osso, são o templo do Espírito Santo, desde o Pentecostes?

A casa do tesouro são pessoas! Quem são os levitas hoje? Quem exerce o sacerdócio real, o papel de nação santa? (1PE 2.9) São pessoas! Quem são os estrangeiros, órfãos e viúvas? São pessoas necessitadas à nossa volta! E vou mais fundo: os estrangeiros são aqueles que são alheios à nossa fé (é de onde deriva a palavra estranho).

Não vou entrar no mérito de que os dízimos eram porções de gado e outros animais ou plantações. Não importa a forma monetária, de antes ou depois, mas, sim PARA QUE deve ser utilizado, e/ou como está sendo usado! (Ao menos é a temática proposta aqui).

Daí, alguns me vem com aquela velha conversa, para boi dormir, de que “você tem que dar e fazer sua parte, pois tais líderes prestarão contas a Deus”. Em outras palavras, nós não podemos fazer nada, pois não cabe a nós. DISCORDO! Pois, se somos uma comunidade e todos somos sacerdotes no Reino de Deus, temos o direito de opinar sim! O imperativo em Deuteronômio 26:12,13 é dado de modo individual ao dizimista. E, na ordem, é dito que o dizimista deve dar “ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, para que COMAM…”

Uma vez que tal “MANTIMENTO” deixa de ser priorizado, em sua distribuição, pode-se constatar um desvio de seu real propósito. Isto é, errar o alvo”!  (Essa é a definição significativa para o verbo “pecar”).

Muitos líderes se utilizam das Escrituras Sagradas, impondo seus preceitos, para favorecer suas instituições, e consequentemente a si próprios.

“Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Não devem os pastores apascentar as ovelhas? Comeis a gordura, e vos vestis da lã; matais o cevado; mas não apascentais as ovelhas. As fracas não fortalecestes, e a doente não curastes, e a quebrada não ligastes, e a desgarrada não tornastes a trazer, e a perdida não buscastes; mas dominais sobre elas com rigor e dureza.” (EZ 34:2-4)

Será que o texto acima nos remete a alguma realidade contemporânea?

Enfim, mediante os textos lidos até aqui, ficou fácil de entender que, além do dízimo bíblico ser anual (não estou dizendo que deva ser), no terceiro ano o mesmo não precisava ser “celebrado” no local do tabernáculo (ou templo, em Jerusalém), mas na terra onde o dizimista residia, ou seja, deveria ser celebrado juntamente com os levitas locais, órfãos, viúvas e estrangeiros. (Numa outra oportunidade ainda falarei sobre a história do dízimo, de forma cronológica).

O que é estão fazendo com o dinheiro dos dízimos hoje? Será que está servindo de mantimento?


Nascido em Suzano/SP. Casado, pai de duas princesas. Formado em Letras, Teologia e Pós-graduando em Docência e Gestão do Ensino Superior. Já liderou alguns ministérios na igreja local: Jovens, música, departamento de ensino e missões (inclusive algumas aventuras missionárias entre índios no Mato Grosso). Atualmente é diretor da plataforma de música na Companhia Arte & Mensagem e, esporadicamente, ministra palestras a quem quer que "se arrisque" chamá-lo. Não, ele não sabe assoviar e chupar cana ao mesmo tempo, embora tenha tentado (se é o que pensou!). É "aparentemente" normal, fã de videogames, super-heróis, rock, hq's, filmes e séries, desde ficção científica a romances e dramas que nunca o fazem chorar (pouco).

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