Julgar ou não julgar (Eis a questão!) …

POR: Fernando Pinheiro || Palavras Reflexão

Diante de tanto falatório a respeito, pensei, sinceramente se eu deveria me posicionar ou dar ao menos meu parecer sobre a respectiva polêmica, com um referido cantor do meio gospel (meio atrasado? Não, ao menos para o dia que escrevi esse artigo).

Contextualizando algumas coisas que o tal cantor disse: “Eu sou diferente no meio gospel… eu estou acima da média. ‘Você está acima da média porque você está no meio de gente fraca’”, disse o cantor, repetindo o que teria ouvido, SUPOSTAMENTE, de Deus. “’ Quero ver você ficar acima da média lá fora’”. Além disso afirmou que “música gospel é tudo igual” e que “qualquer um escreve e faz…”.

download (1)Sei que há os que se posicionaram contra tal atitude e por isso são tidos, por muitos, como “juízes”, ou “julgadores”. E também há aqueles que defendem, sendo vistos ou taxados de “fanboys” (sim, “puxa-sacos”, em português mais claro). E, por fim os que ainda estão em cima do muro, preferindo ficar assistindo de “camarote” e ver o circo pegar fogo, ou se dizem apáticos da situação, por não terem nada a ver com isso… (e porventura têm?).

Enfim, Penso que, no que compete ao Reino de Deus, é de nossa conta sim! (Inclusive da sua, que está lendo isso!). Obviamente, se nos prezamos como cristãos, crentes, protestantes… (seja lá qual for a nomenclatura!).

A sociedade, e suas referidas vertentes, tem por costume nomear representantes de suas ideologias (sejam elas boas ou más). E isso ocorre, não somente de forma oficial ou documental, mas quando há aclamação e consenso, receptividade de um grupo específico, o título é contraído ou rotulado. Quer um exemplo? Um “zé ruela” sai de qualquer buraco e se “converte”, publica seu “tristemunho”, que se torna viral e pronto, passa a ser representante do meio gospel para as demais comunidades! (Exagerei, né?!)

Quem é o referido cantor? Em suas próprias palavras ele se diz homem e servo de Deus. Afirma amar a Igreja e prezar pelo Evangelho (ao menos em suas palavras). O mesmo também carrega consigo o título de pastor, pois foi ungido a tal, em certa denominação. Pois bem, com tais afirmativas, e estilo, com sua música, o mesmo tem sustentado grande massa de espectadores em seus shows. Tendo suas músicas tocadas em rádios e igrejas, sua popularidade no meio cristão é evidente. (Aplausos!)

Mas vamos aos “julgamentos”. De fato, está escrito que não devemos ser juiz de nosso irmão; como também está escrito “não julgue para não ser julgado”. Mas pautado nesses versos, isso não blinda de modo algum as ATITUDES de nosso respectivo cantor. (Isso seria ler isoladamente.)

NÃO CREIO QUE SEJA ERRADO JULGAR! ISSO MESMO! VOU REPETIR: NÃO CREIO QUE SEJA ERRADO JULGAR!

(Se você conseguiu ler até aqui recomendo andar uma milha mais, juntamente comigo, para que você não tenha uma má impressão a meu respeito! E não me JULGUE!)

Não penso, e não vejo, que Jesus condenou o ato de julgar em si, mas sim quando o mesmo é feito TEMERARIAMENTE.

JulgamentoVamos definir o que é temerário? Sem delongas o dicionário informal¹ diz: 1. Irresponsável; quem age sem se preocupar com o interesse público. 2. Malicioso; imoral; Interesseiro; com má fé. Aquele que age com o objetivo de enganar, protelar e distorcer os fatos.

Sendo assim, entendo que JULGAR EM SI NÃO É PECADO!

Veja um exemplo de julgamento em Lucas 7.41-44: “Um certo credor tinha dois devedores: um devia-lhe quinhentos dinheiros, e outro cinquenta. E, não tendo eles com que pagar, perdoou-lhes a ambos. Dize, pois qual deles o amará mais? E Simão, respondendo, disse: Tenho para mim que é aquele a quem mais perdoou. E Ele disse: JULGASTE BEM. ”.

Jesus, também julgava! Sim, conforme a vontade do Pai:

“Por mim mesmo, nada posso fazer; Eu JULGO apenas conforme ouço, e o meu julgamento é justo, pois não procuro agradar a mim mesmo, mas àquele que me enviou. ” (João 5.30)

E existem mais textos a respeito de julgamento nas Escrituras. VEJO QUE O ATO DE JULGAR QUE NOS É PERMITIDO ESTEJA MAIS LIGADO A COISAS E AÇÕES, NÃO A PESSOAS EM SI.

Sendo assim, à luz das Escrituras, podemos julgar atitudes que são reprováveis e que não condizem com a vontade de Deus. Logo, as palavras ditas pelo cantor/pastor são palavras reprováveis. (Se para alguns não é, temo o “evangelho” que vivem). NÓS NÃO SOMOS O QUE NÓS FAZEMOS, MAS O QUE FAZEMOS DEMONSTRA PARTE DO QUE REALMENTE SOMOS. Não é assim que a Bíblia diz: “Pelo fruto conhecereis a árvore”? E que “a boca fala do que está cheio o coração”?

Não podemos condenar ninguém! Fato! Mas, podemos reprovar atitudes e, como igreja, podemos rejeitar tais comportamentos e orar para que haja arrependimento.

É impressionante como as pessoas (nesse caso, o suposto cantor/pastor) que dizem ouvir Deus dizer “isso” ou “aquilo” para si mesmas, sem nem mesmo questionar a tal veracidade da voz! Do mesmo modo nasceram diversas seitas e heresias que contrariam o Evangelho de Cristo.

A atual líder do ministério Diante do Trono em um show recente, na ministração da música “Me ama” menciona o referido cantor dizendo que Deus tem ciúmes dele, em relação à tal polêmica, pelo fato de o mesmo ir cantar no meio secular (procure no youtube que você encontra). Isto é, para o cantor, supostamente, Deus haveria dito para ir ao meio secular. Já para Ana Paula Valadão, de acordo o conteúdo de sua ministração, lhe é claro que essa não é a vontade de Deus. Enfim, outros cantores do meio gospel se sentiram ofendidos e se manifestaram em relação aos dizeres do cantor. Mas o que pode ser feito quanto a isso? Deus falou ou não falou?!

Voltando às Escrituras, vejo casos que permitem o julgamento. Isso em 1Corintios 6.1-6:

“1 Aventura-se algum de vós, tendo questão contra outro, a submetê-lo a JUÍZO perante os injustos e não PERANTE OS SANTOS?

2 Ou não sabeis que OS SANTOS HÃO DE JULGAR O MUNDO? Ora, se o mundo deverá ser julgado por vós, sois, acaso, indignos de JULGAR AS COISAS MÍNIMAS?

3 Não sabeis que HAVEMOS DE JULGAR OS PRÓPRIOS ANJOS? QUANTO MAIS AS COISAS DESTA VIDA!

4 Entretanto, vós, quando tendes a julgar negócios terrenos, constituís um tribunal daqueles que não têm nenhuma aceitação na igreja.

5 Para vergonha vo-lo digo. NÃO HÁ, PORVENTURA, NEM AO MENOS UM SÁBIO ENTRE VÓS, QUE POSSA JULGAR NO MEIO DA IRMANDADE?

6 Mas irá um irmão a juízo contra outro irmão, e isto perante incrédulos! ”.

Um texto muito rico esse, não acham?! Enfim, vejo que o julgamento condenado, por Jesus e apóstolos, seja, de fato, o que impõe condenação, isto é, TEMERÁRIO. Sendo assim, JULGO, que o tal cantor/pastor precisa de admoestação, por sua atitude reprovável, mas, para se admoestar alguém é preciso julgar primeiramente (a situação e os fatos). Isso deve ser feito por SANTOS, e não ímpios. Entretanto, se o mesmo afirmou amar a igreja, espera-se que ao menos possua uma liderança, que deve tomar tais medidas. Então fica minha pergunta: Alguém que afirma fazer mais de 20 shows por mês, e isso viajando por todo o Brasil, consegue ser pastoreado? Consegue ficar sentado num banco e assistir um culto comum? Consegue ser discipulado?

O meio gospel-artístico tem vendido seus produtos, porque tem quem compre e o sustente. (Até então tudo bem!). E O NASCIMENTO DE UM ÍDOLO, POSTO EM EVIDÊNCIA, É PRODUTO DA MASSA QUE O CONFECCIONOU E/OU O ESCOLHEU PARA SEU PRAZER. Uma via de mão-dupla. E isso é resultado de um cristianismo fajuto e superficial. (Será que o “povo de Deus” não consegue viver sem um “bezerro de ouro”?!).

Finalizo com a admoestação de Ezequiel 34.1-10 (que sirva de alerta) e logo a seguir com a definição de Juízo Temerário da revista Ultimato² (que gostei muito):

“Veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel; profetiza e dize-lhes: Assim diz o SENHOR Deus: Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Não apascentarão os pastores as ovelhas? Comeis a gordura, vestis-vos da lã e degolais o cevado; mas não apascentais as ovelhas. A fraca não fortalecestes, a doente não curastes, a quebrada não ligastes, a desgarrada não tornastes a trazer e a perdida não buscastes; mas dominais sobre elas com rigor e dureza. Assim, se espalharam, por não haver pastor, e se tornaram pasto para todas as feras do campo. As minhas ovelhas andam desgarradas por todos os montes e por todo elevado outeiro; as minhas ovelhas andam espalhadas por toda a terra, sem haver quem as procure ou quem as busque. Portanto, ó pastores, ouvi a palavra do SENHOR: Tão certo como eu vivo, diz o SENHOR Deus, visto que as minhas ovelhas foram entregues à rapina e se tornaram pasto para todas as feras do campo, por não haver pastor, e que os meus pastores não procuram as minhas ovelhas, pois se apascentam a si mesmos e não apascentam as minhas ovelhas, — portanto, ó pastores, ouvi a palavra do SENHOR: Assim diz o SENHOR Deus: Eis que eu estou contra os pastores e deles demandarei as minhas ovelhas; porei termo no seu pastoreio, e não se apascentarão mais a si mesmos; livrarei as minhas ovelhas da sua boca, para que já não lhes sirvam de pasto.” Ez. 34.1-10

“Chama-se de juízo temerário o julgamento apressado, arrogante, baseado em impressões, em informações de segunda mão, em maledicência e no ‘ouvi dizer’. Para o julgamento não ser temerário, a sua motivação precisa ser trazida à tona e examinada. Por trás do juízo podem estar a inveja, o ciúme, a competição e o desejo de vingança. Em outras palavras, o autojulgamento deve preceder o julgamento alheio. ”

 

Sem mais,

Que o Eterno nos ajude!

 

REFERÊNCIAS:

¹www.dicionarioinformal.com.br

²http://ultimato.com.br/sites/estudos-biblicos/assunto/igreja/juizo-temerario-versus-discernimento-espiritual/


Nascido em Suzano/SP. Casado, pai de duas princesas. Formado em Letras, Teologia e Pós-graduando em Docência e Gestão do Ensino Superior. Já liderou alguns ministérios na igreja local: Jovens, música, departamento de ensino e missões (inclusive algumas aventuras missionárias entre índios no Mato Grosso). Atualmente é diretor da plataforma de música na Companhia Arte & Mensagem e, esporadicamente, ministra palestras a quem quer que "se arrisque" chamá-lo. Não, ele não sabe assoviar e chupar cana ao mesmo tempo, embora tenha tentado (se é o que pensou!). É "aparentemente" normal, fã de videogames, super-heróis, rock, hq's, filmes e séries, desde ficção científica a romances e dramas que nunca o fazem chorar (pouco).

Cadastre-se

Curta nossa página


Topo